sexta-feira, 6 de junho de 2008

História de Itaquaquecetuba


EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO


“Em 1943 eu e dois companheiros, amigos do progresso, José Monteiro Filho e Narciso Cunha Lobo, fomos credenciados a instalar em Itaquaquecetuba o Subdiretório do Partido Social Progressista, o que foi providenciado. Aceitamos a incumbência com o fito de através da política, trazer para nossa cidade recursos que estavam faltando e, quiçá, algum progresso porquanto carecíamos de tudo.Itaquaquecetuba era um distrito do Município de Mogi das Cruzes, de forma que sua pequena arrecadação lá ficava para seu próprio benefício, nada podendo ser feito de bom por aqui.Tempos depois da instalação do Subdiretório aludido, fui nomeado Subprefeito de Itaquaquecetuba, cargo que ocupei durante um ano. Vendo, porém, que as coisas não andavam de acordo com meus ideais, renunciei ao cargo passando-o à Exma.Senhora Dona Zenaide Souza Lima, então simpatizante do Partido, pessoa muito capacitada e progressista, o que ocorreu após o cargo ter sido recusado pelo senhor Paulo Mendes Ramos.Nesse tempo eu era presidente do partido, sendo como conseqüência, chefe político local durante cerca de nove anos e verificando que Itaquaquecetuba nada recebia em troca do que proporcionava a Mogi das Cruzes, resolvi que nossa cidade deveria emancipar-se. Como a essa altura meus companheiros de instalação do partido já não existiam, reuni alguns dos militantes da época, bem como membros de outros partidos políticos, todos os amigos de boa vontade e promovi uma reunião com especial finalidade de tratar-se da almejada emancipação. Fui feliz porque a reconhecida boa vontade dos companheiros foi devidamente comprovada, havendo, ainda, por parte de todos, grande entusiasmo; começamos a dar os primeiros passos para a decidida independência de Itaquá e, ato contínuo, foi formada uma Comissão pró-emancipação, composta pelos senhores Leolino dos Santos, Domingos Milano, Hyppólito Carlos Vagnotti, Amauri Ribeiro, Benedito Marcos Ribeiro, Eugênio Victório Deliberato, Leolino Isidoro dos Santos e Leonel de Azevedo Moreira.Os que mais se distinguiram nessa campanha, nessa verdadeira batalha, foram Leolino dos Santos e Domingos Milano, sendo que os demais, por motivos particulares, não puderam acompanhar todos os trabalhos levados a efeito visando ser alcançada a emancipação. Quanto a mim, submetendo-me a uma operação cirúrgica, fiquei impossibilitado da necessária locomoção de Itaquá para a Capital, para na Assembléia Legislativa, acompanhar os trabalhos desenvolvidos pelos componentes da comissão. Todavia estava presente a par das reivindicações pró-emancipação, informado pelos senhores Leolino dos Santos e Domingos Milano.Homenagem seja feita aos doutores Antonio Oswaldo Amaral Furlan e Ilário Torloni, deputados que nos orientaram e nos acompanharam até o fim do processo de emancipação. Como era esperado, durante os trabalhos, um senão por parte da Municipalidade de Mogi das Cruzes, surgiu destinado a trazer embaraços a iniciativa então em andamento. Pela prefeitura mogiana foi recusada a entrega à comissão, dos documentos comprobatórios das rendas auferidas por Itaquaquecetuba, alegando que as mesmas eram insuficientes para possibilitar a emancipação do distrito (na época a renda base deveria ultrapassar os duzentos contos de réis, sendo provado pelos membros da comissão ser a de Itaquaquecetuba: quatrocentos e cinqüenta contos). Quanto às demais exigências legais, estava o distrito auto-suficiente para a emancipação: mil habitantes, mais de vinte quilômetros da sede do município, renda superior a quatrocentos e cinqüenta contos de réis, algumas indústrias, um comércio que já ia tomando vulto, olarias, granjas, floriculturas, etc. Convém ser lembrado a esta altura da narração sobre nossa emancipação que, na ocasião, surgiram elementos que combateram, foram contra o plebiscito. A maioria disse não. Eram políticos do bairro Morro Branco que pretendiam desmembrar essa parte de Itaquaquecetuba transferindo-a para o município de Poá. Mas, apesar das controvérsias, graças aos esforços dos componentes da nossa comissão pró-emancipação e a valiosa colaboração do deputado Amaral Furlan, vencemos a grande batalha.Depois de passado um ano, o grande dia chegou: em 28 de outubro de 1953 o distrito de Itaquaquecetuba foi elevado a município, sendo providenciadas as instalações da Prefeitura e da Câmara Municipal, após ser empoçado seu primeiro prefeito, fato ocorrido em 1 de janeiro de 1955.A prefeitura foi criada e funcionou muitos anos na Praça da Matriz, hoje Praça Pe. João Álvares, tendo sofrido muitas reformas e ampliações para funcionar. Funcionou desde o início até 25 de janeiro de 1982, data em que foi transferida para um prédio mais amplo e adequado, à Avenida João Fernandes da Silva, 253 (Vila Virgínia), na gestão do prefeito Benedito Barbosa de Moraes, (Gibi).Quanto à Câmara Municipal em seus primórdios funcionou anexa às instalações do Executivo, transferindo-se mais tarde para a Rua Capitão José Leite, 144; onde permaneceu por vinte anos, convindo ressaltar-se, que muitas foram às dificuldades a serem superadas para suas instalações em virtude de falta de localização adequada, mobiliário, etc. Foi transferida para a Avenida Emancipação, 125 (Centro) em 25 de janeiro de 1977 (prédio próprio). Porém, “como sempre valeu a boa vontade dos homens que sempre se interessaram pelo destino de Itaquaquecetuba e que confiaram em seu futuro progresso que hoje ai está, superando as mais otimistas expectativas”.

Nenhum comentário: